
Prints que vieram à tona na noite desta sexta-feira (28) mostram o desespero da médica Juliana Brasil Santos durante o atendimento do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus. O caso ocorreu entre a noite de sábado (23) e a madrugada de domingo (24), após a administração incorreta de adrenalina diretamente na veia.Mensagens revelam que a médica Juliana admitiu erro na dose de adrenalina e demonstrou desespero ao perceber o agravamento do quadro de Benício, pedindo ajuda ao diretor de plantão e ao médico da UTI. Mesmo com a transferência para cuidados intensivos, o menino não resistiu.
Benício foi atendido com suspeita de laringite no sábado (23) e recebeu adrenalina por via intravenosa, procedimento incomum. Após a primeira dose, teve piora imediata, sofreu várias paradas cardíacas e morreu na madrugada de domingo (24).
Nas mensagens enviadas ao diretor de plantão, Dr. Enryko Garcia de Carvalho Queiroz, Juliana inicia o alerta: “Urgente. Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo EV. Paciente tá passando mal. Ficou todo amarelo”.
Logo depois, a médica admite o erro e pede ajuda insistentemente: “O que eu administro? Paciente desmaiou. Pelo amor de Deus, eu errei a prescrição”. Enry responde com orientações de suporte imediato: “Monitora com eletrodo, oxigênio. Expansão 20 ml/kg”.

Juliana afirma que os procedimentos já estavam em andamento e continua pedindo auxílio: “Me ajuda. Paciente rebaixou”, enviando em seguida um vídeo mostrando o menino na maca. O diretor informa que o médico Dr. Luiz estava a caminho para assumir o atendimento e orienta que Juliana permaneça ao lado do paciente.
A médica reforça: “Enfermagem fez adrenalina EV”. Pouco depois, relata piora grave no quadro: “Ele não tá respirando. Me ajuuuuuuda, Dr.”. Enry pergunta se o Dr. Luiz chegou, e Juliana confirma.
Após alguns minutos, a médica comunica leve melhora: “Tá melhorando… Tá melhor que antes”, e questiona como solicitar vaga na UTI: “Qual código pra pedir leito?”. O diretor orienta que a informação está disponível no consultório e pede que ela assuma o caso pela tela. Juliana encerra: “Tá bom”.

A médica e a técnica de enfermagem foram afastadas e prestaram depoimento nesta sexta (28). Testemunhas afirmam que houve demora no socorro, o que a polícia considera indiferença ao risco. A defesa nega as acusações.
Com informações da Folha do Estado