
A fala do chanceler alemão, Friedrich Merz, ao dizer que “todos ficaram felizes ao voltar, principalmente por sair daquele lugar”, em referência a Belém, sede da COP30, não deveria ser tratada como xenofobia. Rotulá-lo de nazista não muda a realidade. O cara é de longe um nazista. Ele tem o direito de não gostar de uma cidade, e ponto final. Isso, inclusive, é parte da democracia que a esquerda tanto defende, mas poucos compreendem.
E a fala desastrosa de Lula de dizer que Belém é melhor que Berlim, e que o chanceler deveria ter ido a um boteco, é quase um tapa na cara da realidade. Belém não é melhor que Berlim, e a história pode provar. A capital alemã foi praticamente arrasada pelas bombas aliadas e, em sete décadas, foi reconstruida como uma metrópole moderna e funcional. Belém enfrenta um inimigo pior do que uma guerra mundial. Décadas de corrupção, descaso e um projeto político que se esconde atrás de discursos progressistas e de sustentabilidade com índices sociais vergonhosos.
Na cidade que sediou a COP, 91% da população não tem saneamento básico. Esse número, sozinho, já explica mais do que qualquer indignação seletiva nas redes. O 7 a 1 foi pouco, e não falo de futebol.
Talvez fosse mais útil encarar os problemas internos do que gastar energia atacando a opinião de quem olha de fora e enxerga o Brasil como um país preso no próprio atraso. Quem sabe assim, um dia, a crítica internacional deixe de nos atingir, não porque foi silenciada, mas porque deixou de fazer sentido.
Blog Ismael Sousa.