
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, está no centro de um escândalo que expõe conflitos de interesse e possíveis relações impróprias com grupos empresariais investigados na esfera pública e judicial.No foco das críticas está o Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR), que historicamente teve participação acionária de familiares de Toffoli e hoje é controlado por um advogado com ligações societárias diretas com os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores do grupo empresarial J&F, proprietário da JBS.
Reportagens do Estadão mostram que o resort, apesar de oficialmente não estar em nome de Toffoli, é amplamente frequentado por ele e, segundo funcionários, ainda tratado como sua propriedade. Desde dezembro de 2022, o ministro teria passado cerca de 168 dias no local, com despesas de segurança que ultrapassaram R$ 548 mil pagos pelos cofres públicos.
As suspeitas se intensificam porque Toffoli é o relator no STF de inquéritos relacionados ao Banco Master, cujas investigações envolvem fundos de investimento e gestoras sob investigação, setores que também tiveram participação no negócio do resort.
Além disso, a transação que levou o empreendimento às mãos do advogado ligado à J&F ocorreu em meio a decisões jurídicas que beneficiaram interesses do grupo dos irmãos Batista, como a suspensão de uma multa bilionária imposta à J&F em um acordo de leniência.
Esses fatos lançam dúvidas sobre a imparcialidade do magistrado e minam a confiança pública no STF, uma vez que ligam decisões judiciais estratégicas à proximidade pessoal e econômica de Toffoli com partes diretamente interessadas nos processos.
Parlamentares de oposição já protocolaram pedidos de investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Ministério Público com base nessas conexões.
Por que a saída do ministro é defendida por setores da sociedade?
• Conflito de interesse real ou percebido entre decisões no STF e relações privadas, inclusive com grupos empresariais envolvidos em investigação.
• Uso frequente de um resort sob suspeita de influência econômica e política, com custos de segurança às custas do Estado.
• A perda de credibilidade do Judiciário em temas sensíveis à ética e à moral pública.
Fonte: Blogue Ismael Sousa.