Um casal de marqueteiros responsável por campanhas eleitorais do Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 recebeu mais de US$ 10 milhões diretamente de Nicolás Maduro em 2012, segundo informações apuradas por investigações judiciais.

Os pagamentos teriam sido realizados de forma parcelada e semanal, em dinheiro vivo, caracterizando caixa dois, quando Maduro ainda ocupava o cargo de ministro das Relações Exteriores do então presidente venezuelano Hugo Chávez.

Contratação durante campanha de Chávez

À época, Hugo Chávez disputava a reeleição presidencial na Venezuela e contratou os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, hoje com 71 e 63 anos, respectivamente. O casal ficou responsável pela estratégia de comunicação da campanha de 2012.

De acordo com os relatos, os pagamentos foram feitos pessoalmente por Nicolás Maduro, sem registros oficiais, durante encontros e repasses realizados ao longo do período eleitoral.

Indicação partiu de lideranças do PT

A contratação dos marqueteiros brasileiros teria ocorrido após recomendações de integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT).

Entre os nomes citados está o do ex-deputado federal José Dirceu, que teria intermediado contatos e organizado viagens do casal a Caracas.

Segundo as apurações, Dirceu atuou como articulador político entre os marqueteiros e o governo venezuelano, fortalecendo a ponte entre o núcleo petista e o entorno de Chávez.

Contato inicial teria sido feito por Lula

Apesar da atuação de aliados do PT na intermediação, as investigações indicam que o primeiro contato entre João Santana e o governo venezuelano foi feito diretamente por Lula, então ex-presidente do Brasil.

O episódio integra um conjunto mais amplo de apurações sobre a atuação internacional de marqueteiros brasileiros em campanhas políticas na América Latina e os métodos de financiamento utilizados, muitos deles fora dos canais oficiais.

Principais pontos revelados

– Marqueteiros do PT receberam mais de US$ 10 milhões em 2012
– Pagamentos teriam sido feitos em dinheiro, de forma parcelada
– Nicolás Maduro realizou os repasses quando era chanceler da Venezuela
– Contratação ocorreu durante campanha de reeleição de Hugo Chávez
– Indicação partiu de lideranças do PT, com articulação de José Dirceu
– Contato inicial teria sido feito por Lula

O caso segue sendo citado como um dos episódios mais emblemáticos da internacionalização de estratégias eleitorais brasileiras e do uso de recursos não declarados em campanhas políticas no exterior.

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