
Em nova entrevista concedida em Natal, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), colocou-se como vítima do “sistema” que, segundo ele, não aceita a sua ascensão política, porque veio de origem simples, de família humilde etc.A Operação Mederi seria um instrumento do “sistema” para abatê-lo da vida pública.
“O sistema é bruto. O sistema não aceitou nunca que eu chegasse a ser prefeito da cidade de Mossoró, retirando do poder quem estava lá há mais de 70 anos”, narrou, vitimizando-se.
Ok.
Vamos supor que Allyson falou a verdade. Daí, inevitável não questionar:
– A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), que investigaram o esquema criminoso de desvio dinheiro da saúde de Mossoró, estão a serviço do sistema para derrubá-lo?
– O desembargador federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), com sede em Recife-PE, faz parte do sistema?
– Os sócios da DisMed, que já faturaram quase R$ 15 milhões da própria gestão Allyson, e que revelaram que pagam 15% de propina ao prefeito, também fazem parte do sistema?
– A secretária de Saúde, Morgana Dantas, que, segundo a PF, garantiu as condições institucionais para o funcionamento do esquema, também faz parte do sistema?
A vitimização de Allyson não comunga com a verdade dos fatos.
Ao tentar desqualificar a Polícia Federal, a CGU e a Justiça Federal, o prefeito fala para os súditos, e aposta que as instituições sérias, responsáveis e de credibilidade, não têm coragem de encará-lo.
Ação de alto risco passa a ideia de último recurso.
Partiu para o tudo ou nada.
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