Foto: Ismael SousaA oposição na Câmara Municipal de Mossoró realizou, na manhã desta quarta-feira (28), uma coletiva de imprensa para tratar da instalação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) com o objetivo de apurar as denúncias decorrentes da Operação Mederi, deflagrada na terça-feira (27) pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).A operação cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), em escritórios da empresa DisMed no município, além de endereços de sócios e de outras prefeituras em seis municípios do Rio Grande do Norte. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos e fraudes em contratos de fornecimento de medicamentos.
O pedido de abertura da CEI já conta com a assinatura de cinco vereadores: Cabo Deyvison (MDB), Marleide Cunha (PT), Plúvia Oliveira (PT), Wiginis do Gás (UB) e Jailson Nogueira (PL). A oposição informou que busca uma sexta assinatura, que pode ser do vereador Mazinho do Saci (PL), para formalizar a instalação da comissão, porém são necessários sete votos para que a CEI seja instaurada.
Durante a coletiva, o líder da oposição, vereador Cabo Deyvison, destacou a importância da CEI para o aprofundamento das investigações no âmbito do Legislativo municipal. “A importância dessa CEI é que tenhamos acesso a material sigiloso, de fundamental importância para prestarmos contas ao povo de Mossoró”, afirmou. Em tom crítico, o parlamentar disse ainda que, politicamente, “o barco está afundando”.
Outro ponto levantado pela oposição foi a convocação, pelo presidente da Câmara, Genilson Alves (UB), de uma sessão extraordinária com o objetivo de tratar do pedido de afastamento do prefeito. A Casa Legislativa encontra-se atualmente em recesso parlamentar e só deve retomar as atividades ordinárias na primeira quinzena de fevereiro.
Ainda na coletiva, Cabo Deyvison apresentou trechos de diálogos que, segundo ele, constam nos autos da Polícia Federal e envolveriam servidores da área da saúde, empresários e sócios da DisMed. Os diálogos indicariam negociação de pagamento de propina relacionada a contratos de fornecimento de medicamentos. De acordo com a investigação, o prefeito de Mossoró teria direito a 15% do valor de um contrato de aproximadamente R$ 400 mil.
Conforme os dados apresentados pela oposição, a empresa investigada recebeu mais de R$ 13,5 milhões da Prefeitura de Mossoró durante a gestão Allyson Bezerra. Na deflagração da operação, a Polícia Federal encontrou dinheiro armazenado em caixas de isopor e medicamentos na residência de um dos sócios da DisMed.
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