
Por Deputado Federal General Girão (PL-RN)
O Rio Grande do Norte atravessa um dos períodos mais preocupantes de sua história recente. O que deveria ser um governo orientado pelo planejamento, pela responsabilidade fiscal e pela capacidade de antecipação transformou-se em uma gestão marcada por atrasos, improvisos e decisões questionáveis. Governar é agir antes que o problema exploda. Não é correr atrás do prejuízo quando o caos já está instalado.O governo Fátima Bezerra, mais uma vez, chegou atrasado quando o povo mais precisou.
Na saúde pública, os sinais de desgaste não são recentes. Desde a pandemia, esperava-se a construção de um legado estrutural capaz de fortalecer a rede estadual. Isso não aconteceu. O Hospital Tarcísio Maia enfrenta reformas paralisadas e falta de insumos. O Walfredo Gurgel, já historicamente sobrecarregado, continua operando no limite e chegou ao ponto de registrar o desabamento do teto da UTI durante as últimas chuvas. Não se trata de fatalidade. Trata-se de negligência acumulada.
No caso dos empréstimos consignados, a situação é ainda mais grave. Servidores tiveram valores descontados regularmente em seus contracheques, mas os repasses às instituições financeiras não ocorreram como deveriam. O resultado foi cruel: trabalhadores com nomes negativados por dívidas que já haviam quitado. É inadmissível que o próprio Estado cause insegurança financeira a quem mantém o serviço público funcionando.
Na educação, diante dos baixos índices de aprendizagem, a solução adotada foi flexibilizar critérios de aprovação, permitindo que alunos avançassem mesmo com múltiplas reprovações. Não se melhora ensino por decreto. Não se constrói futuro com maquiagem estatística. Educação exige enfrentamento sério, investimento estruturado e compromisso com resultados reais.
A situação fiscal também inspira preocupação. A folha de pagamento estadual saltou de aproximadamente R$ 940 milhões para algo em torno de R$ 1,3 bilhão mensais. O Estado gasta além do que arrecada, acumula déficits e mantém fornecedores e terceirizados aguardando pagamentos por meses. A irresponsabilidade fiscal compromete investimentos e penaliza diretamente a população.
No semiárido, a previsível estiagem encontrou novamente um governo sem planejamento eficaz. Reservatórios secaram, produtores acumularam prejuízos e as respostas vieram tarde. A seca é conhecida, recorrente e mapeada. O que não pode ser recorrente é a falta de ação preventiva.
Enquanto o Estado enfrenta essa sequência de problemas, cresce a movimentação política visando 2026. Fala-se abertamente na possibilidade de renúncia para disputar o Senado. O risco é entregar o Rio Grande do Norte a uma transição conturbada, marcada por eleição indireta e por uma herança administrativa que poucos desejariam assumir.
A sensação é a de um navio em meio à tempestade, sem comando firme. E, diante das dificuldades, a governadora parece preparar sua própria saída. Ao lavar as mãos, como Pôncio Pilatos fez diante da condenação de Cristo, transfere ao povo potiguar o peso de uma crise que poderia — e deveria — ter sido enfrentada com planejamento e responsabilidade. Enquanto o Estado afunda em dívidas e desorganização, o foco parece estar na preservação de um projeto político pessoal.
O Rio Grande do Norte não pode continuar pagando a conta da má gestão. O povo potiguar merece respeito, transparência e compromisso integral com a administração pública.
Planejamento não é discurso. É responsabilidade. E governar é assumir as consequências das próprias decisões — não abandoná-las no meio da tempestade.
Fonte: Blog Ismael Sousa