
Prefeito interino Amariudo Santos, pré-candidato nas suplementares, é acusado de transformar leitura anual em ato político e deixar plenário sem responder à oposiçãoA sessão solene de leitura anual realizada na última segunda-feira (23) na Câmara Municipal, que deveria cumprir o rito institucional de prestação de contas, acabou marcada por forte conotação política e críticas quanto à transparência. O prefeito interino Amariudo Santos, atualmente pré-candidato nas eleições suplementares, apresentou a mensagem do Executivo em um ambiente descrito por parlamentares como de clima eleitoral.
Segundo vereadores, cerca de 40 ocupantes de cargos comissionados teriam sido convocados para acompanhar a sessão. Durante a leitura, o grupo se manifestou com aplausos efusivos e palavras de apoio ao nome do gestor, o que, na avaliação de integrantes da oposição, descaracterizou o caráter institucional da solenidade e levantou suspeitas de uso da estrutura administrativa para promoção política em período pré-eleitoral.
O momento mais crítico ocorreu após a apresentação da mensagem. Parlamentares afirmam que aguardavam espaço para cobrar esclarecimentos sobre a real situação financeira do município, especialmente em relação a possíveis dívidas e restos a pagar da gestão do ex-prefeito Samuel Souto. No entanto, conforme relatos, o prefeito interino deixou o plenário logo após a leitura, sem responder aos questionamentos.
Para membros da Câmara, a saída imediata representou evasão do debate e desconsideração ao papel fiscalizador do Legislativo. Nos bastidores, vereadores afirmam que a população ainda aguarda informações detalhadas sobre contratos, compromissos financeiros e o quadro real das contas públicas.
O episódio evidencia o ambiente político acirrado no município e antecipa o tom da disputa eleitoral que se aproxima. O que deveria ser um momento de diálogo institucional acabou interpretado por críticos como um ato de promoção política, deixando perguntas que seguem sem resposta.
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