Quem convive com a governadora Fátima Bezerra, a coveira do RN, nos últimos tempos relata um quadro de depressão e inconsolabilidade. O fim do mandato chegou junto com o fim dos sonhos políticos e a combinação, ao que tudo indica, está pesando.
Fátima alimentava o desejo de tentar uma vaga ao Senado. Mesmo sem chances reais de eleição, a ideia de manter um papel na política estava no horizonte dela. Não foi possível. O próprio partido percebeu que o nome dela não tinha mais valor eleitoral e a deixou de fora dos planos para outubro.
A petista foi vítima da própria incompetência. Não é crueldade dizer isso. É a verdade nua e crua que os números confirmam. Fátima anunciou com pompa e circunstância R$ 44 bilhões em investimentos para o estado. O número foi repetido em palanque, em entrevista, em nota e em propaganda de rádio. O problema é que os R$ 44 bilhões nunca existiram. Eram promessa de potencial, expectativa de repasse, número inflado para parecer grandioso num discurso. Na prática, o que sobrou foi R$ 12 bilhões de dívida acumulada, Hospital Metropolitano com zero por cento de obra executada segundo o portal da Caixa Econômica Federal e infraestrutura estadual deteriorada.
Mas confesso que não tenho pena de Fátima.
Tenho pena é do povo potiguar. Do trabalhador que esperou anos por uma obra que não veio. Do paciente que ficou na fila enquanto o Hospital Metropolitano acumulava promessa e zero de execução. Do servidor que conviveu com a incerteza. Do contribuinte que pagou em dia e viu o estado afundar em dívida enquanto os bilhões anunciados nunca saíam do papel porque nunca existiram de verdade.
Fátima está depressiva porque perdeu o poder. O Rio Grande do Norte está exausto porque perdeu anos preciosos com uma gestão que inventou números, prometeu o que não tinha e entregou muito menos do que devia.
As dores são diferentes. E o peso de cada uma também.
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros. Para ter acesso completo a matéria acesse gustavonegreiros.com.br