Image1

Fantástico ignora investigação profunda e banaliza morte brutal do cão Orelha


A morte brutal do cão comunitário Orelha, vítima de agressões registradas em 4 de janeiro de 2026 na Praia Brava, em Florianópolis, eutanasiado depois de sofrer ferimentos que o deixaram em estado irreversível, se transformou num símbolo nacional de indignação contra a violência a animais. Moradores da região o alimentavam e cuidavam dele há quase uma década; sua morte provocou protestos em várias capitais brasileiras e enorme repercussão nas redes sociais. Mais de 20 testemunhas já foram ouvidas e quase mil horas de imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas pela Polícia Civil de Santa Catarina, que investiga quatro adolescentes suspeitos de maus-tratos.Mas num domingo em que o país clamava por respostas, muitos especialistas em jornalismo e causas animais viram no programa Fantástico da TV Globo menos um trabalho investigativo profundo do que um relato superficial sobre um caso com potencial para ir muito além do óbvio.

Como a médica veterinária e ativista da causa animal Kátia Chubaci afirmou, “uma matéria como essa é um desserviço”. Para ela, “um caso com suspeita de crime, sofrimento extremo e enorme repercussão exige jornalismo investigativo de verdade, com perguntas difíceis, profundidade e responsabilidade”. Não foi isso que, na sua avaliação, foi entregue.

Segundo Chubaci, “o que foi exibido foi raso, sem os questionamentos essenciais e sem a seriedade que a situação exige”. A jornalista argumenta que, diante de um crime que chocou o país, era necessário ir além das imagens do evento e dos discursos oficiais: “Isso não esclarece, não educa e não ajuda a prevenir novas crueldades. Pelo contrário, banaliza algo gravíssimo”.

O Fantástico — responsável por reportagens históricas de grande impacto social — tratou o caso como mais uma narrativa de repercussão, mas, para críticos como Chubaci, faltaram elementos que pudessem confrontar lacunas fundamentais da cobertura: por que não houve investigação mais profunda das motivações e do contexto social desses adolescentes? Como a investigação da polícia está sendo conduzida em relação ao sigilo de adolescentes, indícios e coação de testemunhas?* *

“Tratar violência contra animais de forma superficial é irresponsável”, disse a veterinária. “A causa animal não é pauta leve, não é entretenimento. É questão de ética, de sociedade e de segurança.”

A crítica ecoa especialmente num momento em que manifestações pedindo justiça por Orelha ganharam ruas em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais brasileiras, e quando movimentos em defesa dos direitos dos animais clamam por mudanças estruturais na forma como crimes de crueldade são noticiados e julgados.

Blog do Ismael Sousa
Postagem Anterior Próxima Postagem