De acordo com o parlamentar, além do que já é apurado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), ele próprio reuniu documentos que indicariam diferenças expressivas entre valores pagos pelo município e preços praticados no mercado em outros setores da administração.

“Isso não é narrativa política. São notas fiscais, contratos e quadros de medição que demonstram indícios claros de superfaturamento”, afirmou.
Novos contratos sob questionamento
Entre os exemplos citados, o vereador mencionou contratos ligados ao projeto Estação Natal. Segundo ele, um item teria sido adquirido por R$ 640 a unidade, enquanto produto semelhante poderia ser encontrado no mercado por cerca de R$ 87.
Ao multiplicar o valor pela quantidade adquirida, o parlamentar afirma que o possível sobrepreço ultrapassaria R$ 80 mil apenas nesse item.
Outro caso citado envolve a locação de um gabinete institucional no condomínio Atma Business. De acordo com Cabo Davidson, o aluguel mensal seria de R$ 10.600, enquanto o valor médio de mercado estaria em torno de R$ 3.500.

Licitações presenciais na “janela” da nova lei
O vereador também contestou a declaração do prefeito Allyson Bezerra de que as licitações estariam ocorrendo exclusivamente de forma eletrônica.
Segundo ele, documentos em sua posse indicam que diversos processos ocorreram presencialmente durante a transição entre a Lei 8.666/1993 e a Lei 14.133/2021.
Para o parlamentar, a modalidade presencial pode facilitar direcionamentos e reduzir a concorrência.
“Os aditivos são previstos em lei, mas a sucessão deles levanta suspeitas e precisa ser fiscalizada”, declarou.
Ele citou contratos que, somados, ultrapassariam R$ 140 milhões, incluindo obras como o Anel Viário, o Hospital Municipal, o Centro de Tecnologia (CETEC) e o Mercado Central, todos com aditivos que chegariam a 20%.
Requerimentos, Ministério Público e proposta de CEI
Cabo Davidson informou que, com o fim do recesso legislativo, apresentará requerimentos formais na Câmara Municipal de Mossoró para obtenção de memórias de cálculo, estudos de preços e processos licitatórios completos.
A partir desses documentos, pretende protocolar notícia de fato junto ao Ministério Público.
Paralelamente, articula a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). Segundo ele, cinco assinaturas já foram obtidas, sendo necessárias sete para a instalação da comissão.
A CEI permite acesso a documentos que não estão disponíveis ao público e garante uma prestação de contas clara à população, sem comprometer o sigilo das investigações em curso”, explicou.
Rompimento com o MDB e divergência partidária
O vereador também comentou a nota divulgada pelo MDB, que manifestou confiança na inocência do prefeito.
Segundo Cabo Davidson, há divergência profunda entre sua atuação parlamentar e a posição da legenda. Ele afirmou que pretende solicitar carta de anuência para deixar o partido por justa causa.
“O mandato é do povo. Não posso mudar minha postura para atender orientação partidária”, afirmou.
Ele confirmou que tentou contato com a direção estadual do MDB, presidida pelo vice-governador Walter Alves, e que aguarda retorno formal.
Defesa das instituições e rejeição a uso político
Ao longo da entrevista, o vereador rechaçou a tese de uso político da Operação Mederi, lembrando que as investigações tiveram início ainda em 2023, antes do atual cenário eleitoral.Para ele, questionar a legitimidade da operação significa descredibilizar a Polícia Federal, a CGU e o Judiciário.
“Eu acredito nas instituições e vou continuar fiscalizando. Não tenho medo de retaliação política”, concluiu.
BNews Natal